O frango com quiabo é um dos pratos mais emblemáticos da culinária de Minas Gerais. Preparado com pedaços de frango dourados, quiabo macio e um caldo rico em sabor, é uma receita que traduz a simplicidade e a riqueza da cozinha mineira.
Tradicionalmente associado à culinária caipira, o prato possui raízes na história alimentar do interior do Brasil, com referências que o situam na tradição culinária desde o século XVIII.
Servido geralmente com arroz branco e angu à mineira, o frango com quiabo é uma preparação acolhedora, marcada pela combinação de ingredientes simples, pelo preparo em panela e pelo sabor característico dos temperos.
Receita de Adriana Tenchini
- Categoria: Prato principal
- Especificação: Aves, frango, cozinha brasileira (Sudeste, Minas Gerais), sem glúten, sem lactose
- Tempo de preparo: 1 hora e 30 minutos
- Rendimento: aproximadamente 1.600 gramas – 8 porções (1 sobrecoxa de frango com osso, quiabo e caldo)
- Dificuldade: Fácil
- Calorias por porção: 330 kcal
Ingredientes
- 8 unidades de coxa ou sobrecoxa de frango, sem pele (aproximadamente 1,2 kg)
- 1 colher (café) de cominho em pó
- 1 colher (chá) de colorau
- Suco de 2 limões
- 1 colher (chá) de sal, para a marinada
- 1 colher (sobremesa) de óleo vegetal
- 1 cebola média, picada
- 1/2 talo de alho-poró, picado
- 4 dentes de alho, picados
- Aproximadamente 500 ml de água quente, ou o suficiente para o cozimento
- 300 g de quiabo
- Sal a gosto, para ajustar o tempero
- Salsinha fresca picada a gosto
Modo de preparo
- Retire a pele das peças de frango e coloque-as em um recipiente. Acrescente o cominho, o colorau, o suco dos limões e o sal. Misture bem para envolver todos os pedaços, cubra e deixe marinar na geladeira por aproximadamente 30 minutos.
- Em uma panela grande, aqueça o óleo e doure o frango por todos os lados. Reserve a marinada e utilize-a durante o processo, se necessário, para evitar que os temperos grudem no fundo da panela. Se precisar, doure o frango em etapas para garantir uma boa coloração.
- Acrescente a cebola, o alho-poró e o alho. Refogue por aproximadamente 3 minutos, mexendo delicadamente para liberar os aromas.
- Adicione a marinada reservada e a água quente, em quantidade suficiente para cozinhar o frango sem deixar o caldo excessivamente diluído. Tampe a panela e cozinhe em fogo baixo por aproximadamente 30 a 40 minutos, ou até que a carne esteja macia e completamente cozida. Se necessário, acrescente mais água quente durante o cozimento.
- Enquanto isso, lave os quiabos e seque-os muito bem com um pano limpo ou papel-toalha. Retire as extremidades e corte-os em pedaços de aproximadamente 2 a 3 cm.
- Quando o frango estiver macio, acrescente o quiabo e ajuste o sal. Cozinhe em fogo baixo, com a panela parcialmente tampada, por aproximadamente 8 a 10 minutos, ou até que o quiabo esteja macio, mas ainda mantenha sua forma. Evite mexer excessivamente para preservar a textura dos ingredientes.
- Finalize com a salsinha picada e desligue o fogo. Sirva quente, acompanhado de arroz branco e angu à mineira.
Toques finais e sugestões
Porcionamento
A porção indicada refere-se à quantidade sugerida para servir como prato principal. Caso deseje ajustar a forma de servir, a quantidade pode ser aumentada ou reduzida conforme necessário.
Para mais detalhes sobre a composição equilibrada das refeições e o ajuste de porções conforme o serviço, consulte os capítulos iniciais da Parte 3, intitulados “A Composição do Almoço e do Jantar”.
Dicas de preparo e consumo
- Seque completamente os quiabos antes de cortá-los, pois a umidade na superfície e o manuseio excessivo podem favorecer a liberação da mucilagem, uma substância natural do quiabo que fica viscosa durante o preparo e é conhecida popularmente como baba.
- Doure bem o frango antes de adicionar os líquidos, pois essa etapa contribui para desenvolver os sabores e intensificar a coloração do prato.
- Acrescente o quiabo somente quando o frango estiver cozido e evite mexer excessivamente durante o preparo. O tempo de cozimento deve ser suficiente para deixá-lo macio, mas sem perder a forma.
- Sirva o frango com quiabo acompanhado de arroz branco e angu à mineira. O angu combina especialmente bem com o caldo do frango, valorizando os sabores tradicionais da culinária mineira.
Variação: frango com quiabo e ora-pro-nóbis
Uma variação dessa receita é o frango com quiabo e ora-pro-nóbis, que combina dois ingredientes muito presentes na culinária mineira. O ora-pro-nóbis é uma PANC (Planta Alimentícia Não Convencional), conhecida por suas folhas comestíveis, nutritivas e saborosas.
Para preparar essa versão, lave e escorra bem as folhas e acrescente-as à panela junto com o quiabo, quando o frango já estiver cozido, deixando cozinhar por alguns minutos, até que murchem e fiquem macias.
Também é possível preparar somente o frango com ora-pro-nóbis, sem adicionar o quiabo. Nesse caso, utilize os mesmos ingredientes e siga o modo de preparo da receita, substituindo o quiabo pela hortaliça e acrescentando as folhas nos minutos finais do cozimento, para que amaciem e incorporem seu sabor ao caldo.
Curiosidades
O frango com quiabo é um exemplo da identidade regional da culinária mineira, formada ao longo de gerações a partir da combinação de ingredientes acessíveis e técnicas tradicionais de preparo. Sua associação com a cozinha caipira e com a história alimentar do interior de Minas Gerais reforça seu lugar entre os pratos mais reconhecidos do estado.
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O quiabo também é um ingrediente de destaque na cozinha brasileira por sua textura característica. Quando aquecido, libera uma substância viscosa natural, conhecida popularmente como baba. Essa propriedade pode ser aproveitada para dar corpo ao caldo, embora muitas pessoas prefiram reduzi-la por meio da secagem cuidadosa do vegetal e do controle do tempo de cozimento.
O ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata) é uma planta de folhas comestíveis, bastante presente na culinária mineira, especialmente em preparações tradicionais do interior do estado. Seu valor nutricional merece destaque, pois suas folhas fornecem proteínas, fibras, vitaminas e minerais, como ferro e cálcio, contribuindo para diversificar a alimentação.
A sigla PANC significa Plantas Alimentícias Não Convencionais e designa plantas, ou partes delas, que podem ser utilizadas na alimentação, mas que não fazem parte dos hábitos alimentares mais comuns da população ou são consumidas principalmente em determinadas regiões.
Essa classificação não significa que sejam plantas novas ou estranhas à culinária: muitas são conhecidas há gerações por comunidades locais. O ora-pro-nóbis é um exemplo significativo, pois, além de seu valor nutricional, representa a valorização dos ingredientes regionais, dos conhecimentos tradicionais e da diversidade alimentar brasileira.
Sobre a autora
Adriana Tenchini é escritora, gastrônoma, publicitária, produtora de conteúdo e pesquisadora na área de gastronomia. Dedica-se ao estudo e à divulgação do conhecimento gastronômico, reunindo pesquisa bibliográfica, técnicas culinárias e valorização das tradições alimentares. Atualmente, está escrevendo uma obra abrangente sobre gastronomia.
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Foto de destaque: almoço mineiro com galinha com quiabo em Ouro Preto, por Pablo.G.Lopes / Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.
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